Vamos falar sobre algo que passa despercebido por todos nós, mas que faz parte das nossas vidas de forma continua e constante. Talvez o termo "projeções" possa soar estranho, mas o fato é que todos nós criamos expectativas, que pode ser um termo mais familiar, sobre nossos relacionamentos, sejam eles relacionamentos pessoais, profissionais, afetivos, ou qualquer outro tipo de relacionamento que podemos criar ao longo de nossas vidas.
Tendemos sempre a projetarmos nos outros nossas crenças, nossos valores, nossas visões de vida, nossas preferências, nossos gostos, nossas inseguranças e nossos medos.
Por sinal, é importante analisar que nossos medos são programados ao longo de nossas vidas através de nossos pais, nossa educação, a mídia de massa (Indiferente se estamos falando de televisão, internet, redes sociais, rádio ou qualquer outros tipos de divulgação de notícias e informação), nossos amigos, conhecidos em geral, ou mesmo estranhos que possam cruzar por nosso caminho. Tudo isso irá gerar os medos que carregamos dentro de nós mesmos, e que fazem parte de nossas crenças, nossos valores pessoais.
Certas pessoas vivem suas vidas temendo tudo. Escolhem ver perigos por todos os lados, e certamente irão contar que todos os outros também pensam da mesma forma. As ameaças estão a toda a sua volta, todos são inimigos. Todos estão contra ela, todos querem lhe devorar, lhe assassinar, lhe roubar, lhe estuprar. O pensamento da eterna vítima está arraigado em sua mente, portanto ninguém é confiável. Mas isso tudo é apenas uma projeção de seus medos, que foram aprendidos desde cedo na convivência com seus pais. Muito certamente sua mãe, ou seu pai, também viam ameaças por todos os lados.
As crianças sempre tendem a imitar o comportamento de seus pais, pois elas sempre observam o que seus pais projetam externamente. Nossos pais são sempre nossa primeira e mais primordial base de comportamento que absorvemos em nossas vidas, portanto é absolutamente natural que passemos a nos comportar como eles se comportam, mesmo que de forma inconsciente.
Com o tempo podemos começar a questionar esse exemplo de comportamento, e passamos a imitar a projeção comportamental de outras pessoas, pessoas que passamos a admirar, de outros círculos de convivência, ou de músicos ou atores de cinema que se tornam nossos ídolos ao longo de nossas vidas, e eles projetam um comportamento mais questionador e bem diferente do comportamento dos nossos pais.
É através dessas projeções diversas que construímos a base do nosso comportamento, das nossas próprias escolhas, até que nossa essência comece a se expressar de forma natural e espontânea.
As expectativas são criadas à partir de nossas projeções pessoais. Tendemos a acreditar que todas as pessoas a nossa volta irão fazer as mesmas escolhas que fazemos no nosso dia a dia. E quando percebemos que essas pessoas fazem escolhas diferentes, é nesse momento que nascem as decepções, porque sempre esperamos que todos a nossa volta façam as escolhas que nós fomos ensinados a fazer.
Sempre somos ensinados a sermos obedientes, a seguirmos as regras instituídas, a honrarmos a pai e mãe, a não matar, a não praticar o mal, a fazer sempre o bem ao próximo. A quantidade de regras é interminável, e elas se tornam projeções. Mas muitas das vezes o que vemos são pessoas indo contra essas regras, e mais uma vez as decepções se amontoam.
Mas existem aqueles que vão na contra-mão dos medos ensinados. Existem aqueles que, ao invés de cultivarem uma mentalidade de guerra, de medo constante, de estar sempre na defensiva, de certa forma tiveram um modelo comportamental diferente. Seus pais eram amorosos, carinhosos, compreensivos, generosos, e os filhos tendem a seguir essas projeções, e ao invés de cultivarem pensamentos de medo, ou mesmo uma atitude constantemente defensiva, cultivam pensamentos de Amor ao próximo, de respeito, de carinho, de afeto. Tendem a ser excelentes ouvintes, são compreensivos, generosos, caridosos até.
Não se trata de serem ingênuos, eles conhecem os perigos do mundo. Mas tiveram um modelo comportamental que os ensinou a serem muito mais amorosos e cordiais, do que revoltados e reativos.
Somos sempre influenciados por projeções comportamentais, e com o tempo tendemos a esperar dos outros o mesmo tipo de comportamento que tendemos a projetar. Mas é dessa forma que podemos identificar em quem podemos confiar, e de quem devemos nos proteger. Se somos cordiais, gentis e amorosos, mas recebemos uma resposta que está cheia de ódio, revolta, e uma total falta de respeito com o próximo, essa é uma resposta energética que já denuncia que aquela pessoa não é confiável. Mas se por outro lado somos cordiais, gentis e amorosos, e recebemos uma resposta fria e indiferente, isso também pode ser um enorme sinal de perigo. Essas pessoas em particular tendem a projetar suas mágoas, suas inseguranças, seus traumas, pois isso é tudo que essas pessoas possuem dentro de si.
Somos todos espelhos uns dos outros, e felizmente sempre teremos aqueles que refletem exatamente aquilo que projetamos, e nesse caso nos sentiremos seguros, acolhidos, respeitados. Os ditos "espelhos perfeitos" tendem a ser as pessoas em que confiamos, que nos fazem nos sentirmos bem. Essas são aquelas que nos atraem, nos fazem sentirmos amados, queridos, desejados até. São essas pessoas que irão nos proporcionar momentos de puro êxtase, que irão fazer com que o tempo pare, que as horas não passem, que tudo seja eterno e inacreditável.
As projeções fazem parte das nossas vidas, e é importante que procuremos desenvolver em nós mesmos a habilidade de projetarmos nos outros aquilo que desejamos que nos seja projetado. Procure sempre fazer aos outros aquilo que você gostaria que os outros fizessem consigo mesmo, pois os outros são só reflexos de nós mesmos.
E se o outro só sabe ser ameaça e revolta, procure não refletir a mesma coisa, pois você sabe que aquilo não é seu. Envie Amor e deixe ir, ou mantenha-o à distância para sua própria segurança.
Não podemos mudar ninguém, mas podemos aprender a controlarmos nossas projeções.

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