Vamos agora explorar uma crença largamente disseminada, mas que agora começa a tomar aspectos completamente diferentes.
Existe uma frase comumente divulgada que diz o seguinte: "O caminho dos excessos leva à estrada da sabedoria." Na prática, o que se observa é algo completamente diferente. O caminho dos excessos leva muito mais à auto-destruição, à desvalorização generalizada, e ao entorpecimento, à indiferença.
Muitos dos que seguiram esse mantra, hoje são pessoas amargas, totalmente entregues as suas dores e cicatrizes, paranóicas e já não sentem mais nada, porque já sentiram tudo que havia para ser sentido ao longo de suas aventuras incessantes. Como um fósforo que queimou completamente, e agora só restou um pequeno pedaço preto, consumido por completo.
Muitos podem alegar que se tratava de uma fome de vida muito grande, mas na prática isso sempre escondeu um enorme medo inconsciente. Medo da morte. Medo do escuro, da total ausência de luz. Medo da solidão. Medo do vazio que sempre esteve presente dentro de si, e nunca foi preenchido como deveria.
Medo do nada, ou melhor dizendo, de se tornar nada. E no entanto esse é o futuro reservado a essas pessoas.
O caminho dos excessos, antes de levar a sabedoria, leva a desvalorização de tudo que é consumido em excesso. Sexo perde valor. Álcool perde valor. Drogas, embora possam levar a dependência química ou psicológica, também eventualmente perdem seu valor. Pessoas perdem seu valor. Os sentimentos perdem seu valor. As emoções perdem seu valor. O prazer perde seu valor. O êxtase perde seu valor.
E será que existe sabedoria nisso? A pessoa morre antes mesmo de deixar de existir no ambiente físico.
A profissional do sexo pode saber tudo sobre dar prazer, pode levar seus clientes ao êxtase absoluto! Mas ela em si já não sente mais prazer naquilo. O sexo se tornou banal, sem importância, porque nunca envolveu uma conexão de almas, mas pura e simplesmente satisfazer sua fome por orgasmos, sua necessidade de sobrevivência, sua ânsia por emoções baratas e passageiras. Mas tudo isso, em dado momento de suas vidas, perde importância completamente. E o que resta? Nada. Um vazio. Um sentimento de entorpecimento.
Tudo em excesso perde sua importância com o tempo, perde seu efeito. Mesmo as drogas vão perdendo seu efeito com o tempo, mas fica aquela saudade do efeito que teve da primeira vez, e isso se torna uma busca incessante por esse sentimento, essa emoção inicial.
O excesso de tudo só leva a auto-destruição. Muitas vezes, antes mesmo de se atingir esse grau de vazio, de amargura, de total entorpecimento, a pessoa pode deixar de existir no plano físico. E mais uma vez, onde está a sabedoria nisso?
O caminho dos excessos pode te ensinar muita coisa sobre essas experiências sensoriais, mas nunca vão te ensinar nada sobre si mesmos, porque ao invés de encararem de frente o vazio existencial de suas vidas, eles preferem viver fugindo desse vazio, e nesse processo permanecem fugindo de si mesmos, de se auto-conhecerem.
A profissional do sexo pode ser a melhor no que ela faz, mas isso nunca a levou a conhecer a si mesma. O bêbado pode conhecer o sabor de todas as bebidas alcoólicas, mas isso nunca o levou a conhecer a si mesmo. O viciado em drogas pode saber tudo sobre suas experiências com essas drogas, mas isso nunca o fez conhecer a si mesmo.
A arrogância dessas pessoas pode levá-las a pensar que já aprenderam tudo que havia para ser aprendido na vida, mas continuam não conhecendo a si mesmos.

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