quinta-feira, 2 de julho de 2026

A Exclusão Dos Mortos-Vivos

 

Esse no mínimo será um tema curioso.  Os filmes sempre mostram uma ameaça que é não só surreal, mas absurda.

 

E se de repente os mortos começassem a voltar a vida?  Foi George Romero quem introduziu essa idéia, e na época ele não oferecia possibilidades, ou explicações, sobre o que poderia provocar isso.  Era como se o mundo dos mortos não tivesse mais espaço para mais mortos, e eles simplesmente se transformassem em "Máquinas Canibais".

 

Com o tempo introduziu-se a idéia de que um vírus pudesse aniquilar nossa consciência e nossa vontade própria, e isso levasse os seres humanos a se transformarem nessas máquinas canibais comedoras de seres humanos, e isso levasse outros seres humanos a se transformarem em canibais descerebrados também.

 


Fomos levados a temermos os Mortos-Vivos, ou no mínimo temermos nos tornarmos um!  Na prática, o que vemos a nossa volta é uma realidade bem diferente.  Um Morto-Vivo não nos consome, ao menos não no senso físico, mas sim em um senso psicológico.  Tornar-se um Morto-Vivo é tornar-se alguém que "Segue o rebanho", alguém que sempre segue as normas sociais instituídas, aceita o roteiro imposto desde que nascemos nesse mundo.  São nossos pais que nos ensinam a sermos Mortos-Vivos em primeiro lugar, com uma coleção de "Nãos" interminável.  A seqüência segue com o que nos é ensinado nas escolas, nas universidades, nas igrejas, no sistema judiciário, e tudo que caracteriza o sistema de controle que existe a nossa volta.

 

O que de fato acontece quando começamos a questionar tudo isso?  Ao contrário do que é apresentado nos filmes, eles nos abandonam, nos excluem.

 

Todos nós nascemos com uma necessidade latente de criação.  Desde criança temos essa vontade inerente de criar algo diferente, e muitas das vezes somos inspirados por outros Seres Vivos que criam músicas, filmes, pinturas, livros, e qualquer coisa que possa nos influenciar a criarmos também, a nos expressar, a mostrar aquilo que carregamos dentro de nós, e que todos nós deveríamos Ser nessa vida.  Todos nós trazemos uma visão única da vida, uma idéia diferente, um modo de ser, um estilo de vida.

 

Mas os Mortos-Vivos de plantão estão sempre a nossa volta prontos para nos convencer de que o que temos a contribuir é errado, não coloca comida na mesa, não paga as contas, não garante um teto sobre nossas cabeças, não garante uma cama quente onde possamos descansar.  Alguns diriam que nem devemos de fato descansar, mas sim nos matarmos de trabalhar com coisas que não só não nos motivam, como também só garantem que permaneçamos mortos.

 

Para aqueles que ainda duvidam da existência desses Mortos-Vivos, basta olhar a sua volta.  Eles andam pelas ruas rastejando, sem vontade, sem paixão, sem emoção, de cabeça baixa, curvados.  Muitas das vezes tem problemas de obesidade, vivem para consumir, se fazem de vítima o tempo todo, consideram que o mundo está contra eles, mas no fundo nunca tiveram coragem de fazer nada para mudarem sua realidade.  Apenas seguem as regras sem questioná-las, e julgam e criticam qualquer um que não siga essas regras.

 

Muitos deles, senão todos, aceitaram seguir as regras ditadas desde cedo, constituíram famílias, tiveram filhos, mas isso tudo não lhes trouxe realização ou alegria, muito pelo contrário.  Apenas mais dor e sofrimento.  Os filhos foram embora, eles se aposentaram, e agora rastejam pela vida esperando pelo dia em que deixarão de existir nela.  E acreditam que todos devem fazer o mesmo.

 

Mas quando alguém aparece fazendo diferente, mostrando que a vida pode ser muito melhor se você simplesmente fizer escolhas diferentes, eles se sentem ofendidos, acionam o modo julgador/critico, e excluem aquela pessoa da sua convivência.

 

Para aqueles que sabem do que estou falando e já sentiram essa "Exclusão" na pele, eu só tenho uma coisa para dizer: Tenham coragem de não contar com a aprovação de nenhum deles, nunca esperem reconhecimento de ninguém.  Como costumo dizer, ao contrário do que se convencionou de acreditar, Solidão é Liberdade!  Não espere aprovação de ninguém para fazerem o que têm vontade de fazer.  Façam aquilo que pode ser feito com os recursos que lhes estejam disponíveis.  E podem ter certeza de que sempre teremos aquilo que nos é necessário para fazermos a diferença nesse mundo, simplesmente já fazendo escolhas diferentes.

 

Com os recursos tecnológicos que dispomos hoje em dia, tudo é possível.  Muita coisa mudou ao longo de todos esses anos de existência, e hoje é muito fácil divulgar o que queremos dizer ou fazer ao mundo.

 

Não espere a aprovação da sua família para ser o músico, o pintor, o escritor, o fotógrafo, o cineasta, e colocar para fora o enorme poder de expressão que todos nós possuímos.  Conheça suas limitações e suas maiores qualidades e capacidades.  Tenha a coragem de questionar o roteiro instituído que todos deveriam seguir sem questionamento.  E não se tornem Mortos-Vivos.

 

A Exclusão dos Mortos-Vivos é só um sinal de que você está fazendo a diferença nesse mundo!




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