Este promete ser um tema diferente.
"Então agora você vai querer me convencer que lobisomens existem..."
Não se trata de verdadeiramente estabelecer que existem homens, ou mesmo mulheres, que são de fato capazes de se transformarem em lobos gigantes, mas de discutir o que esse monstro simboliza. E vamos acabar descobrindo que não se trata verdadeiramente de um Monstro, mas sim do nosso lado mais instintivo.
A besta interior que habita nossos corações. Isso certamente aterroriza muita gente, mas pode ser bem libertador para outros. É isso que o Lobisomem simboliza, nosso lado mais animal, mais instintivo.
Nós vamos começar um processo de questionar os "Nãos" instituídos pela sociedade. Vamos começar a questionar o sistema.
Na mitologia moderna, acredita-se que a única criatura capaz de matar um vampiro, seria um lobisomem. Foi o filme "Anjos da Noite" (Underworld) que mostrou um cenário de guerra entre vampiros e lobisomens, e no filme "Van Helsing" mostrou-se que só depois que Van Helsing se transformou em um lobisomem, ele foi capaz de matar o Conde Drácula.
Vamos agora trazer isso para a realidade em que vivemos. Estamos falando de um processo de explorarmos nosso "Lado Sombra", como mostra os estudos do psicanalista Carl Gustav Jung. Explorar nosso lado sombra é entrarmos em contato com tudo aquilo que reprimimos em nós mesmos ao longo de nossas vidas para podermos funcionar na nossa sociedade instituída. Tudo isso não deixa de existir, mas fica relegado ao nosso inconsciente. Mas embora tudo aquilo que reprimimos em nós mesmos possa ficar relegado ao nosso inconsciente, isso não significa de forma alguma que isso não vá afetar sua vida.
Muito pelo contrário, como diria o famoso psicanalista. Tudo aquilo que se torna inconsciente passa a governar nossas vidas, orientando nossas escolhas, provocando muito sofrimento, e todo mundo convencionou de acreditar que se trata de "Destino", quando na verdade tratam-se apenas de escolhas erradas feitas inconscientemente.
Somos sempre levados a reprimirmos nossa sexualidade, nossos impulsos mais instintivos, nossas emoções. Somos convencidos de que não podemos expressar raiva, de que devemos seguir todas as regras instituídas, sermos obedientes, aceitar tudo sem questionamento.
E Carl Jung deixava bem claro que tudo aquilo que permanecia reprimido, relegado às sombras, era puro ouro! Trata-se do nosso lado mais criativo, nosso lado musical, emocional, intuitivo, nosso lado mais espontâneo, mais imaginativo, mais rebelde.
O lobisomem representa o nosso reencontro com o nosso lado mais bestial, mais sincero, mais perigoso, onde reside nossa atitude perante a vida. Isso pode ser muito libertador, mas certamente vai contra todo o sistema instituído, questiona todos os "Nãos" impostos, impõe limites, estabelece uma nova atitude perante a vida. E isso certamente desagrada os "Vampiros" que existem a toda a nossa volta.
O filme "Um Lobisomem Americano em Londres", ainda hoje tido como o maior clássico do gênero, não só mostra uma transformação de homem em um lobo gigante perfeita, como mostra todo o sofrimento e toda a dor envolvida nesse processo. Qualquer um que já tenha assistido esse filme saberá da agonia dessa transformação. Mas a Verdade é que isso simboliza a dor desse trabalho de reencontro com suas sombras e desprogramação das imposições mentais às quais somos submetidos ao longo de toda a nossa vida.
O processo pode ser bem doloroso, mas a liberdade que se segue a esse trabalho de re-conexão com nossa essência não só é recompensador, como também é empoderador e muito gratificante.
Existe um lado místico associado a isso tudo, como as histórias costumam apresentar, mas isso pode ser considerado como um trabalho de espiritualidade muito poderoso. Quando falamos de "Poder", não se trata de passarmos a ter poder sobre os outros, mas sim sobre termos poder sobre nós mesmos, nos tornarmos soberanos e imunes a manipulações. Hoje é comum falarmos sobre os ditos "Lobos Solitários", que são exatamente aqueles que assumiram o controle de suas próprias mentes, deixaram de ficar se preocupando com a opinião dos outros, não buscam mais validação, e fazem suas escolhas de acordo com seus próprios princípios e convicções.
Quando falamos da mitologia do Lobisomem conforme são mostradas nos filmes, falamos sobre uma criatura bestial que se alimenta de carne humana, que mata sem remorso ou culpa, e que qualquer um que sobreviva a um ataque desses se tornará um lobisomem em uma futura noite de lua cheia. A associação mística com a lua tem sua origem no fato de que as fases da lua influenciam as águas e os humores dos seres humanos, o que na prática é algo que pode ser constatado. Em noites de lua cheia, o comportamento humano costuma mostrar alterações que podem ser bem perturbadoras.
Quando o lobisomem volta a sua forma humana, ele não se lembra de nada dos crimes cometidos em sua forma de lobo. Mas quando percebe que esses crimes podem ter sido cometidos nos períodos de inconsciência pelos quais experimentou, isso então o perturba e ele passa a buscar uma forma de impedir que isso se repita, ou então busca sua auto-destruição.
Esse "Despertar" certamente deixa muita gente perturbada. Mas quando você entende que essa sociedade não faz o menor sentido, você passa a aceitar essas mudanças e pode até se sentir aliviado de já não fazer mais parte das massas inconscientes.
Busque sua Besta interior, e saiba que ela te ama e fará tudo para seu próprio bem!


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